Sou esquecido demais. Não esquecido de não lembrar das coisas, mas no sentido de que não lembram de mim. Tudo bem que na maioria das vezes é drama, mas em alguns casos é forte mesmo. Um esquecimento vazio, infinito, que ecoa igual abismo.
Passo pela vida de alguns levando tudo que eu penso que tenho de bom, depois disso eu não sou citado nem em briga, nem em sonho, nem em nada.
Eu pensei que eu me achasse feio e insuportável por esse motivo, mas não é. Sou feio e insuportável por outros motivos. Porque para essas características servirem como agravante no meu processo de esquecimento eu precisaria ser visto como o feinho, o chato, ou o arrogante. Lembrado como alguém ruim, mas lembrado.
Me sinto em uma sala escura, deixado pra trás; uma célula desconhecida de alzheimer...
Na maioria das vezes que isso acontece eu fico só atordoado e meio confuso, mas às vezes até dói, sabe?
Eu lembro de você. Num caderno fofo, numa música da Callas, quando tô andando sozinha. Em momentos que são seus, e só seus.
ResponderExcluirVocê é lembrado, Milo.