sábado, 25 de agosto de 2012

Dança comigo esta noite?

Ei, dança comigo? Por favor? Precisa ter medo não.
Eu não sei dançar muito bem e você também parece não entender como funciona, mas a gente dá um jeito.
Não quero isso como um contrato, um acerto, um compromisso, um anel, não pra hoje, não pra gente de agora. Quero só dançar um pouquinho, juntinho, pra deixar de te ver com olhos e passar a entender seus ritmos. Depois que essa valsinha acabar aí sim a gente pensa no próximo baile.
Mas vamos não pensar agora? Só tentar aquilo que a gente acha que quer ou acha que pode dar certo? É só uma dança, é só uma noite, é só um beijo.
Me ensina a não bailar? Por favor?

domingo, 19 de agosto de 2012

Entrelinhas

- Não gosto de ser desarmado.
- Eu tenho essa mania, desculpe...
- Que mania?
- De desarmar as pessoas, de cuidar, tratar, levar no colo.
- Tenho medo disso.
- Por que?
- Porque é bom.
- Ah...
- Eu não gosto que as pessoas saibam quem eu realmente sou, me sinto mais fraco.
- Mas você é fraco.
- Eu sei mas...
- Não. Olha, você não precisa se esconder.
- Tenho medo dos meus pontos fracos
- Todo mundo tem.
- Quando uma pessoa souber meu verdadeiro ponto fraco eu já vou estar completamente apaixonado por ela.
- É engraçado isso...
- É...
- Meu maior medo é ser sozinho, ficar sozinho, estar sozinho. É o meu ponto fraco.
- Você nunca vai estar sozinho.
- Você não percebeu...
- O que você disse?
- Oi? Nada...nada não...
- Nosso ônibus.
- É...

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O que essa gente precisa é da pílula do dia seguinte ao dia do fim do mundo. Porque o que importa no fim das coisas é o vazio que cresce após o sumiço delas.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Cê vai pra onde?

"Quando a saudade não cabe no peito ela transborda pelos olhos."
É cafona, não é? Não, é claro que é cafona, mas deve ser verdade.
Me incomoda, me chateia e eu ainda não consigo entender como.
Eu sinto saudade de que mesmo? De quem? É tudo muito estranho porque a saudade existe, ela realmente transborda pelos meus olhos mas ela não diz de onde vem e pra onde vai. Tem pessoas que sofrem por querer abraçar o mundo inteiro, eu devo sofrer por sentir saudades do mundo inteiro.
Tenho saudades de um pai que eu perdi, de um amor que eu nunca tive, das suas mãos curando as minhas como um xamã, de uma chuva, de qualquer coisinha boba. Tudo vira choro; absolutamente tudo vira choro.
Me falaram uma vez que a saudade vai parar de me fazer chorar quando eu parar de perguntá-la de onde ela vem... Fiquei com muito medo disso ser verdade e decidi que nunca mais vou perguntar nem à saudade e  nem pra ninguém: Cê ta vindo de onde mesmo?

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Traz má sorte, é mau presságio.

Existem povos que juram de pés juntos que o arco-íris traz má sorte. Eu acho isso muito sábio, ver o arco-íris como um símbolo de mau presságio, um grasnar de corvo. Eu vou pensando nisso tudo porque eu tenho muito medo das cores, não de cada cor, mas das cores, delas juntas. Depois que o homem inventou o mundo em colorido tudo ficou mais perigoso.
Penso que viver em um mundo em preto e branco é mais tranquilo, é mais seguro e mais fácil de ser elegante. As cores só complicam. Elas criam emoções que a gente não conhece, que ainda não tem nome. É muita confusão e incerteza pro meu sangue cósmico de capricórnio.
Talvez seja por isso que as pessoas comecem a estudar arte, né? Para enfrentar esse medo. Claro que é uma atitude muito covarde porque se fossemos corajosos, nós, os estudantes de arte, fingiríamos que elas não existem e tudo estaria resolvido. Mas acontece que temos tanto medo que precisamos ir mais fundo, conhecer o inimigo, saber do que ele é capaz.
Os artistas são os mais corajosos do mundo porque eles não ignoram e nem temem as cores, eles mandam nelas. (O que às vezes me faz pensar que vivemos em uma ditadura de cores organizadas por artistas inteligentes, mas isso é uma outra história).
Nós, os estudantes de arte, somos os mais bobos e medrosos do mundo. A gente só quer correr pra bem longe, fugir da família, fugir dos amores, fugir do mundo. Mas somos incompetentes nessa fuga, porque justo por sermos os mais medrosos é que somos os que mais amam esse mundo.