Tenho medo de sangue. Gelo, desmaio, perco o foco. Irracional ou não, eu tenho medo de sangue.
Não sei se tal sandice se justifica, mas sei que a ideia de encarar em cores e formas o que sou por dentro, encarar o meu eu cru, em cheiro e em traços, me da vertigens.Antes fossemos feitos de ar, de qualquer coisa sem cor, sem signo, sem vida, assim não precisaríamos encarar nada.
A cor carrega um fator agressivo muito grande e esse fator, no caso do sangue, agrega culpa, pecado, vida, histórias... Ver meu sangue me faz lembrar, enfrentar.
Minha fraqueza não está no sangue, mas no que ele traz quando corre.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Preceito de Callas.1
"Não me peça a vida, apenas quero estar casada com a minha arte."
Quero poder dizer e ser isso. Tenho medo demais do que a vida me reserva. Gosto de resolver problemas ricos, escolhidos, medidos e precisos, por isso pinto. Na arte as coisas se resolvem e na vida só se resolvem as vezes.
Queria poder pegar essa ponte entre a vida e arte e ir direto para o outro lado.
Com arte a guerra é mais segura e o sangue é sempre mais ralo.
Quero poder dizer e ser isso. Tenho medo demais do que a vida me reserva. Gosto de resolver problemas ricos, escolhidos, medidos e precisos, por isso pinto. Na arte as coisas se resolvem e na vida só se resolvem as vezes.
Queria poder pegar essa ponte entre a vida e arte e ir direto para o outro lado.
Com arte a guerra é mais segura e o sangue é sempre mais ralo.
sábado, 23 de junho de 2012
A justificativa de um criminoso
Bato na cara da amizade porque não posso bater em outra. Raiva, decepção e carinho eu só demonstro pra quem eu amo. Sou bruto, violento, escroto e pobre. Não sei amar, amo pior que todos, machuco demais, cobro demais.
Me meto, sou direto, invado vidas e dou opinião.
Sou indiscreto, espanco mulheres, e bagunço projetos. Meu crime está na tentativa imbecil de achar uma forma de amar sem que ela se mostre superior, tola, ou assassina.
Não era pra ter sido uma declaração. Ao menos eu não planejava que fosse até porque eu não sei se tenho material sentimental suficiente para declarar. Mas entre a festa, o álcool, o falso glamour e o baile de máscaras, você estava torto, triste, longe. Não que isso seja ruim, criminoso, falso, mas dói pra quem vê, machuca em quem gosta. Precisei tentar falar o que sentia, ou o que senti (não me lembro), só pra ver se as fichas caiam. Todas as suas e uma das minhas.
Em chuva e em cama eu percebi que o que foi dito era pra ser. O que foi dito cumpriu a função de me tirar de um deslumbre e de te mostrar, mesmo que bebadamente, a sua função de precioso.
Queria ter esquecido a noite pelo álcool, mas esqueci por confusão, por bagunça. Não tenho mais nenhuma ciência, não existe mais nenhuma culpa da parte de ninguém; nem aquela que não existia. Agora estou salvo e solto. Estamos prontos.
domingo, 17 de junho de 2012
2
- Você faria qualquer coisa por mim?
- Sim.
- Por que?
- Porque eu preciso de você.
- Mas isso é egoísmo!
- Eu pensei que fosse romântico, oras...
- Mas não é.
- Você pega tudo que eu digo e transforma em algo negativo...
- Mas eu não transformei nada.
- Óbvio que transformou. Desde quando sou egoísta?
- Não disse que você é egoísta, mas o que você disse é.
- Hum... Não mereço essas cobranças, não somos um casal.
- Não somos?
- Não.
- Então você não me ama...
- Eu amo a gente.
- Então por que não somos um casal?
- Porque eu tenho medo. Só vivemos felizes porque não somos um casal.
- Você é fraco...
- Você sempre soube disso.
- É... Mas por que?
- Porque eu tenho medo que acabe.
- Mas precisa acabar um dia, certo?
- Mas é melhor que demore...
- Eu também não quero que acabe...
- Eu te amo.
- E eu acho que também preciso de você.
- Viu?
- Viu o quê?
- Somos fracos.
terça-feira, 12 de junho de 2012
As vezes quero me banhar nas águas de Janaína só pra ver se purgo essas incertezas de menino. É muito penoso carregar dúvidas de criança quando se tem problemas quase-pseudo-adultos.
É que tem esses namoricos que passam, que surgem, que somem. Esses flertes e paqueras que duram segundos mas que nos tiram do chão. Tudo isso me deixa meio perdido. Principalmente quando é com essas pessoas-mistério que surgem do nada e somem no nada, mas que te encantam por dias e te viciam por horas. E no meio dessa confusão a criança dentro da gente quer gritar: "De novo! De novo!", mas aí você sai correndo, perde a pessoa e não cai nas águas.
É que tem esses namoricos que passam, que surgem, que somem. Esses flertes e paqueras que duram segundos mas que nos tiram do chão. Tudo isso me deixa meio perdido. Principalmente quando é com essas pessoas-mistério que surgem do nada e somem no nada, mas que te encantam por dias e te viciam por horas. E no meio dessa confusão a criança dentro da gente quer gritar: "De novo! De novo!", mas aí você sai correndo, perde a pessoa e não cai nas águas.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
A primeira e a última
Querido,
Nunca pude te mandar uma carta de amor. Primeiro porque você não gosta, segundo porque eu também acho meio cafona. Mas agora que acabou (ou acabamos), eu devo a mim, e ao que ainda guardo de você, escrever essa cartinha.
O fato de sabermos que não iríamos dar certo só tornou nosso relacionamento mais bonito. Porque assim os dois lutaram para provar o contrário; você tentando ver onde me amava, e eu te amando como posse, como cria, como mestre.
Das incompatíveis ideias eu aprendi muito, devo isso a você. Devo também a oportunidade de poder te ajudar a ver onde você estava, onde você era e onde nunca poderá ser. Vivíamos como casal, como casa, como cozinha, como roupa suja. Vivíamos nos enganando e só por isso fomos felizes.
Dos presentes e do sexo eu guardo o teu sorriso. Das brigas e discussões eu guardo seu colo; e da sua (nossa) cama eu vejo as manhãs de "Bom dia, amor!" que me ajudavam a organizar a vida.
A traição veio dentro da gente. Você traiu seu amor por mim quando não conseguiu mostrar o quanto e como me amava. Eu trai o meu amor por nós; esqueci de mim e da nossa relação, planejando formas de conquistar algo que já era meu...mas que eu não via.
Eu te perdi, nós nos perdemos. Me arrependo de não ter te amado mais. Isso eu resolvo um dia.
Não nos culpe como eu fiz.
Um grande beijo
Camilo Martins
Nunca pude te mandar uma carta de amor. Primeiro porque você não gosta, segundo porque eu também acho meio cafona. Mas agora que acabou (ou acabamos), eu devo a mim, e ao que ainda guardo de você, escrever essa cartinha.
O fato de sabermos que não iríamos dar certo só tornou nosso relacionamento mais bonito. Porque assim os dois lutaram para provar o contrário; você tentando ver onde me amava, e eu te amando como posse, como cria, como mestre.
Das incompatíveis ideias eu aprendi muito, devo isso a você. Devo também a oportunidade de poder te ajudar a ver onde você estava, onde você era e onde nunca poderá ser. Vivíamos como casal, como casa, como cozinha, como roupa suja. Vivíamos nos enganando e só por isso fomos felizes.
Dos presentes e do sexo eu guardo o teu sorriso. Das brigas e discussões eu guardo seu colo; e da sua (nossa) cama eu vejo as manhãs de "Bom dia, amor!" que me ajudavam a organizar a vida.
A traição veio dentro da gente. Você traiu seu amor por mim quando não conseguiu mostrar o quanto e como me amava. Eu trai o meu amor por nós; esqueci de mim e da nossa relação, planejando formas de conquistar algo que já era meu...mas que eu não via.
Eu te perdi, nós nos perdemos. Me arrependo de não ter te amado mais. Isso eu resolvo um dia.
Não nos culpe como eu fiz.
Um grande beijo
Camilo Martins
sábado, 2 de junho de 2012
Ainda tento entender como exatamente a morte do meu pai influenciou na criação desse novo blog. Talvez não tenha sido sua morte, mas o que eu registrei dela. Meu antigo blog está repleto dele, ou da falta dele, da dor dele, do choro meu...A forma como as coisas se retorceram depois de sua morte deu vida à novas experiências. Não consigo saber se foram boas, amargas, ruins, mas sei que foram justas e essa justiça eu devo a papai, que só me deu liberdades quando se foi. Não que ele tenha sido cruel e me prendido a vida inteira, mas é que ele precisava me deixar preparado para o mundo, para que eu estivesse pronto quando eu fosse capaz de ter alguma liberdade. As vezes penso que ele me deixou preparado para tomar parte de seu lugar na existência, já que suas marcas em mim estão se evidenciando cada vez mais.Voz, jeito, canto, cabeça... Sou e estou mais próximo de meu pai, e isso só começou depois que ele decidiu partir.
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