terça-feira, 10 de julho de 2012

Notícias de uma gripe particular

A gripe, o chá, a falta dos cigarros, a falta dos remédios, a falta de alguém. O silêncio da tosse desperta os sentidos e a lembrança de um romance que nunca existiu. Tudo se perde em um sonho onde você é grande, amado e querido.
Quando então você espirra e se lembra que está sozinho, doente por dentro e por fora do edredom. O chá frio e o reality show parecem as únicas opções no momento e então você pergunta para aquela pessoa que você deseja e não conhece: Cadê você?

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O último a sair apaga a luz

Sou esquecido demais. Não esquecido de não lembrar das coisas, mas no sentido de que não lembram de mim. Tudo bem que na maioria das vezes é drama, mas em alguns casos é forte mesmo. Um esquecimento vazio, infinito, que ecoa igual abismo.
Passo pela vida de alguns levando tudo que eu penso que tenho de bom, depois disso eu não sou citado nem em briga, nem em sonho, nem em nada.
Eu pensei que eu me achasse feio e insuportável por esse motivo, mas não é. Sou feio e insuportável por outros motivos. Porque para essas características servirem como agravante no meu processo de esquecimento eu precisaria ser visto como o feinho, o chato, ou o arrogante. Lembrado como alguém ruim, mas lembrado.
Me sinto em uma sala escura, deixado pra trás; uma célula desconhecida de alzheimer...
Na maioria das vezes que isso acontece eu fico só atordoado e meio confuso, mas às vezes até dói, sabe?

Estrela

Amigo. Você me chamava assim não é? Em um tom afetado, de uma forma pomposa... Esse vocativo sempre me incomodou, mas eu nunca tentei entender o motivo, eu era apaixonado demais para me preocupar com esse detalhe.
Hoje a palavra amigo que você me direcionava a cada cinco segundos traduz tudo o que eu não fui, o que eu não era, o que eu não pude.
Eu tentei ser tudo para você, te ofereci tudo o que eu considerava precioso e você sempre ignorou. A culpa é minha, isso eu sei, de ver a sua solene indiferença desde o início como algo normal.
Seu talento, movimentos e cores se traduziram em uma das minhas mais belas gravuras, e um dos mais belos livros de minha mãe.
Você foi embora. Foi embora da minha casa, das minhas noites, da minha vida, levou a gravura, o livro e minha amizade, minha dedicação. Igual a Rita de uma certa música...
Eu disse um dia que você era uma estrela, amigo, e que de todas era a mais brilhante. Acontece que no seu universo não tem espaço para mais ninguém, seu brilho precisa ofuscar todos os astros ao seu redor.
Hoje me convenço de que não te perdi, mas de que você se perdeu e levou pro buraco seu talento, seu esplendor e sua platéia.
Espero que um dia perceba que o show acabou no dia em que eu apaguei a luz e fui embora. Porque você nunca teve e nunca terá, uma platéia tão emocionada como a que eu fui.